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     Outro dia fui acusada, mais uma vez, de fuga. E não pude fugir dessa afirmação. Nem sequer tentei, pra falar a verdade. Apenas ri e esperei as previsíveis palavras de repreensão. Elas não vieram. Mas, também, não precisavam. A menção de minha constante mania de evitar, por si só, trouxe à tona o pensamento de que fujo até de minha fuga.  Fujo quando posso, fujo quando é preciso, fujo quando ficar me faz mal. É bem verdade que, às vezes, não há como fugir. Em alguns casos, dá-se um jeito. Em outros, a única alternativa é levantar a cabeça e encarar o que quer que seja. Mas é assim que sou. Então, não se assuste se eu desviar, mudar de assunto, inventar uma desculpa. Sou bem covarde às vezes, admito. Fujo até sem perceber. E vou continuar assim enquanto der, enquanto for cômodo, enquanto não encontrar alguém que me mostre que ficar pode valer mais a pena.  



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